(Por Jéssica Amorim)
Olá, pessoal, tudo bem?
A dica de cinema desta semana é menos ação e mais poesia. Da última vez, indiquei um filme para toda a família, o Gigantes de Aço, que ainda segue em cartaz em Ribeirão Preto. Para esta semana, o filme indicado segue uma linha totalmente diferente do anterior. Trata-se de uma impecável e belíssima produção nacional, O Palhaço (2011), de Selton Mello, que estreou na última semana nas salas de cinema da cidade.
A narrativa conta a história de Benjamim (Selton Mello), que é filho do dono do circo Esperança, Valdemar (Paulo José), e juntos formam a fabulosa dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue. Benjamim é um palhaço sem identidade, CPF e comprovante de residência e acha que perdeu a graça. Além de palhaço, ele também ajuda a administrar o circo. O filme retrata seu momento de crise existencial em que não sabe se é esse mesmo o seu ofício, e as preocupações em comprar um ventilador e um sutiã grande para uma artista da trupe o acompanham durante toda a trama. Enquanto permanece com o circo, ele passa a deixar que os problemas tomem lugar maior que o desejado e isso acaba influenciando negativamente no seu trabalho e o leva a se questionar se é isso mesmo o que ele quer fazer para o resto da vida. Ele sai pelo mundo em busca de si mesmo e acaba descobrindo que cada um é para o que nasce.
Este é o segundo filme de Selton Mello, que fez Feliz Natal em 2008, quando só dirigiu. Em O Palhaço ele escreveu, atuou e dirigiu, e o resultado saiu melhor que a encomenda. O filme merece ser apreciado, pois, além de uma bela história que faz um elogio ao humor verbal brasileiro e principalmente ao palhaço e a arte circense em geral, tem uma fotografia incrível em tom pastel que traz suavidade às cenas. Ele usou o recurso de enquadramentos geométricos durante praticamente o filme todo, o que foi até demais, mas serviu para dar um tom de comicidade na medida certa.
Paulo José está em uma de suas melhores interpretações e o elenco — todo afinado e em harmonia — levou poesia para onde, inicialmente, era só cinema. As participações especiais de atores de comédia também deram um show à parte, em especial Moacyr Franco, que rouba a cena em seu primeiro papel no cinema. Ele foi aplaudido de pé no Festival de Cinema de Paulínia neste ano.
Uma verdadeira homenagem ao circo, ao artista e ao espectador de cinema, pois o filme é um presente e uma delícia de se ver.
Mais uma oportunidade para apreciá-lo será na programação do 12º Projeta Brasil Cinemark no dia 7 de novembro. Não deixem de ver! Até a próxima!
“O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço”. (O Palhaço, 2011)
Jéssica Amorim é jornalista, especialista em Linguagens Midiáticas e estuda cinema na Universidade Federal de São Carlos. Contato: jessicamorim@gmail.com / Twitter: @jessicamorim

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Assisti ao filme ontem e é realmente fantástica a forma como ‘o palhaço’ se justifica, do começo ao fim. Um retrato do interior pobre em nosso país misturado com a perfeita atuação de atores consagrados…Lúdico, melancólico, recomendo.