Impressões: os shows de janeiro a março

O primeiro show do ano foi o da cantora nordestina Karina Buhr, no dia 19 de janeiro. Irreverente, Karina brinca com a voz, ousa no figurino e faz extravagâncias no palco. Gira o microfone em volta do corpo em quase todos os shows, deita no palco e balança muito o cabelo. Dá pra ter uma noção da performance aqui nesses vídeos. Destaque também para dois nomes de peso que compõe a banda: Edgard Scandurra, na guitarra, e Guizado, no trompete. Confira algumas fotos aqui!

Ainda em janeiro, no dia 26, a banda paulistana Sambasonics mostrou a mistura de samba e groove com um repertório recheado de clássicos. O cantor Marku Ribas foi convidado para participar do show e relembrou alguns de seus sucessos como Beira D’Água e Zamba Bem.

No comecinho de fevereiro, no dia 2, foi a vez da banda argentina PolleraPantalón se apresentar no Sesc. O som instrumental da banda teve origem nas ruas e só depois chegou aos palcos. O grupo mescla funk, ska, tango, além da chacarera, ritmo folclórico argentino. Depois que estiveram no Brasil pela primera vez, em 2011, a banda fez questão de acrescentar outros estilos como chorinho e samba em seu repertório. Confira vídeos e fotos aqui e aqui.

Na semana seguinte, Ribeirão recebeu o Nublu Jazz Festival, com uma ótima programação de artistas nacionais e internacionais. As apresentações aconteceram no Teatro Municipal e no Galpão do Sesc. No dia 8/2, no Municipal, a banda MarginalS subiu ao palco acompanhada de Rodrigo Brandão. Logo em seguida, foi a vez da banda nova iorquina de trip-hop Wax Poetic. A cantora Tulipa Ruiz fez uma participação especial com a banda cantando duas músicas: Brocal Dourado e a (então) inédita Assim, Assim – cujo vídeo já rodou a blogosfera brasileira, além de alguns sites internacionais.

Na outra noite, já no Sesc, a banda N’Dea Davenport & Celectrixx agitou o público. Na sequência, veio a banda mais esperada da noite: Dom Salvador & Abolição, com a ilustre presença do cantor e ator Toni Tornado. Um show empolgante de soul e funk legítimos, com várias músicas que marcaram a história no começo da década de 1970. Veja os vídeos aqui e fotos aqui.

Para encerrar o festival, esteve no Municipal, o conjunto de 14 integrantes Sun Ra Arkestra, direto dos Estados Unidos. O show foi uma verdadeira viagem cósmica no jazz e na música africana!

No dia 15 de fevereiro, esteve no auditório o Duofel, a dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno. O show, intitulado “Duofel Plays The Beatles”, faz parte do segundo DVD da dupla, gravado no lendário The Cavern Club, lugar onde os garotos de Liverpool iniciaram sua história. Além do belo repertório da apresentação, fica até feio resumir o domínio que eles têm sob os violões em poucas palavras. Um primor, um show imperdível!

No dia seguinte o pernambucano Lirinha esteve no Galpão para lançar seu primeiro disco solo, “Lira”. Depois de deixar a banda Cordel do Fogo Encantado, em 2010, o vocalista Lirinha decidiu se descobrir. Segundo ele, a busca por uma nova estética era o seu maior desejo. Apesar do novo repertório, Lirinha não deixou de expor sua paixão pela poesia e fez várias citações durante a apresentação. “Lira” está disponível para download gratuito, no site do cantor.

No final de fevereiro, dia 23, esteve em Ribeirão o cantor Zeca Baleiro, para o show mais esperado do mês. Depois de esgotar os ingressos em poucas horas e deixar parte dos fãs de fora do show, Zeca Baleiro, apesar de parecer abatido por conta dos shows durante o carnaval, arrebatou as mais de 400 pessoas presentes. O show relembrou seus maiores sucessos, como Babylon, Telegrama, Heavy Metal do Senhor, além da inédita Nada Além, que será lançada ainda em abril em seu novo disco. Zeca é experiente, sabe bem como agradar seu público e o show se completa com sua ótima banda, formada pelos músicos Tuco Marcondes (guitarras, violões e vocais), Fernando Nunes (baixo), Pedro Cunha (teclados e acordeom) e Kuki Stolarski (bateria e percussão). Para quem não acompanhou, o Varal Diverso fez um pequeno podcast com o artista, confira!

Para inaugurar o mês de março, a banda Gafieira de Luxo, prata da casa, formada pelo trombonista Mauro Zacharias e o pianista Paulo Lakimé, além de outros músicos de Ribeirão, convidaram a carioca Nina Becker para um show de clássicos do samba de gafieira. Confira algumas fotos aqui e vídeos aqui!

Também em março, no dia 15, a banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico se apresentou no Galpão para o lançamento de seu novo disco “Eu preciso de um liquidificador” (disponível para download aqui). Os mineiros passaram por aqui em 2010 (conforme comentamos no nosso post inaugural), mas com uma formação “reduzida”. Dessa vez, com o time completo, fizeram um show impecável, mostrando a constante evolução que o grupo passa desde o primeiro trabalho. Destaque para a divertida Insensatez, que contou com o sapateado especial de Rê Defina! E aqui vai uma dica que ‘descobrimos’ após o show: Juliana Perdigão. Responsável pelas flautas, clarinetas, e pela bela voz de “Nesse instante só”, Juliana também disbonibiliza seu ótimo disco “Álbum Desconhecido” em seu site. Vale a pena!

Quer mais? Confira outras fotos desses (e de diversos) shows nos nossos Flickr e Picasa. Aproveite e visite nosso canal de YouTube, com centenas de vídeos dos eventos que sempre citamos por aqui. Comente!

Retrospectiva 2010

O post de inauguração do Varal é sobre os melhores shows que aconteceram em Ribeirão Preto em 2010.

MAIO

O primeiro bom show foi do grupo Couro & Cordas, uma homenagem à Adoniran Barbosa, interpretado pelo ator Fausto Ribeiro. O show foi parte do projeto Ponto de Encontro, no shopping Santa Úrsula, que estava lotado com pessoas de todas as idades. Os clássicos de Adoniran são atemporais! Músicas como Trem das Onze e Samba do Arnesto levaram o público ao delírio!

JUNHO

Junho é um mês especial para os ribeirão-pretanos, pois acontece a Feira Nacional do Livro. Um evento grandioso, repleto de boas atrações culturais, inclusive shows de grandes artistas.

O primeiro show da Feira do Livro de 2010 foi com o Clube da Esquina. O primeiro a subir ao palco foi Flávio Venturini, mostrando um pouco de seu mais recente DVD, além de emocionar o público com seus grandes clássicos, como Noites Com Sol e Todo Azul do Mar. Depois vieram Milton Nascimento (que dispensa comentários) e Lô Borges, completando o saudoso grupo dos anos 70. Uma noite que ficou na memória!

No dia seguinte foi a vez de Nana Caymmi. Logo na primeira música já dava para saber que seria mais uma grande noite. O público praticamente sussurrava suas músicas, demonstrando ali um grande respeito pela cantora. Depois de cantar sucessos como Nossa Canção e Não Se Esqueças de Mim, Nana fechou o show com Suíte do Pescador, música de seu pai, Dorival Caymmi.

Os cariocas do Pedro Luís e a Parede foram a atração do sábado. A batucada animou os curiosos e esquentou a noite fria no centro da cidade. O grupo abriu o show com as músicas do último disco, Ponto Enredo, e depois agitou o público com canções como Caio No Suingue, Pena de Vida, Navilouca/Miséria no Japão, Menina Bonita (esta acompanhada por Mas, Que Nada), entre outras.

Depois de Pedro Luís, foi a vez de sua esposa comandar o palco da Feira. Parte da nova safra de cantoras da MPB, Roberta Sá fez um show alegre, incluindo no repertório músicas famosas na voz de outros cantores e grupos. Foi o caso de Casa Pré-FabricadaEu Sambo Mesmo, por exemplo. Mas tiveram também sucessos seus, como No BraseiroFogo e Gasolina, contrastando com a fria noite de domingo.

Segunda-feira foi o dia de Tom Zé apresentar seu último lançamento, o CD/DVD Pirulito da Ciência. Com 74 anos, ele parece ainda estar na adolescência. Além das brincadeiras (pulos, cambalhotas, danças, gemidos etc), o público ficou maravilhado com as inúmeras histórias contadas entre uma música e outra. Foi o caso de Augusta, Angélica e Consolação e Ui! (Você Inventa). Teve até música para vender seus discos!

Enrolado em uma bandeira do Acre (estado homenageado nesta edição da Feira), João Donato começou o show tocando o hino de sua terra. Com seu ritmo latino contagiante, misturando jazz, samba, bossa nova, mpb, Donato colocou todos para “bailar”. Mas ainda faltava algo… Esbanjando simpatia, Emílio Santiago subiu ao palco para dar voz às incríveis melodias do piano de Donato. Destaque para Amar ou SofrerSaigon, a mais pedida naquela noite de terça-feira. Um dos grandes momentos da Feira.

Quarta-feira foi dia de termos aulas de samba com o mestre Martinho da Vila. O show era baseado no recém-lançado CD/DVD O Pequeno Burguês, uma autobiografia dos mais de 30 anos de carreira do cantor. Com a praça completamente lotada, Martinho relembrou seus grandes sucessos, conhecidos por gente de todas as idades. É o caso de Mulheres, Canta Canta Minha Gente e Madalena do Jucu.

Dois dias depois foi a vez de Erasmo Carlos mostrar o seu Rock ‘n’ Roll, disco e show que vem rodando o país desde 2009. Alternando clássicos e músicas novas, como Gatinha Manhosa e Jogo Sujo, o Tremendão fez provavelmente o melhor show da Feira do Livro de 2011. Destaque para a homenagem que fez para o amigo Roberto Carlos, que faria um show na cidade no dia seguinte. Acompanhado apenas de um piano, Erasmo cantou algumas músicas da dupla, vindo às lágrimas por diversas vezes e emocionando também o público presente.

No sábado à tarde, acompanhamos o último show na Feira. No palco principal do Theatro Pedro II, o Los Porongas se apresentou para poucas pessoas, infelizmente. A banda acreana homenageou Chico Mendes, um seringueiro, sindicalista e ativista ambiental que lutava pela preservação da Amazônia e ficou mundialmente conhecido por causa de sua morte. De bigode, a banda fez um show instigante, com um som impecável, minimalista e tocante. Infelizmente não temos vídeos, e praticamente não se tem fotos desse show. Uma pena!

E pra fechar o mês de junho com chave de ouro, ainda no sábado, tivemos o privilégio de receber um show do rei Roberto Carlos em pleno aniversário da cidade. Tudo bem que esse não foi de graça como os shows da Feira do Livro, mas a chance de ver um show dele vale qualquer preço. Com o estádio Santa Cruz lotado, o rei emendou um clássico atrás de outro, emocionando as diversas gerações que estavam presente. E a fria noite que entrou para a história desta cidade ainda teve uma grande queima de fogos no final do show.

JULHO

Logo no começo do mês, um ótimo show no SESC. A banda ribeirão-pretana Balaco acompanhou um dos grandes nomes do samba-rock: Bebeto. Autor de grandes clássicos, como Segura a Nêga, Jéssica e Menina Carolina, Bebeto se entrosou muito fácil com a banda Balaco e colocaram pra dançar todo mundo que lotava o Galpão.

No dia 15/7 foi a vez do baiano Lucas Santtana subir no palco do SESC. Misturando samba, reggae e dub, Lucas animou os poucos presentes no local. Lançando disco novo, o Sem Nostalgia, Lucas Santtana & Seleção Natural (a banda que o acompanha) mesclou músicas novas com outras mais antigas, principalmente do penúltimo disco (3 Sessions in a Greenhouse) como Tijolo a Tijolo, Dinheiro a Dinheiro. Destaque para a versão de Faixa Amarela, famosa na voz de Zeca Pagodinho.

AGOSTO

Começamos agosto logo com dois shows no mesmo dia. O primeiro foi de Verônica Ferriani, cantora de Ribeirão Preto que está rodando o país e fazendo mais sucesso a cada dia que passa. O show foi uma homenagem ao centenário de Adoniran Barbosa e Noel Rosa, parte do ótimo projeto Ponto de Encontro, do shopping Santa Úrsula. Simpática e afinada, Verônica cantou clássicos como Feitiço da Vila, Trem das Onze e No Morro da Casa Verde/Saudosa Maloca.

O segundo show da noite foi do mineiro Beto Guedes, abertura do FAM (Festival da Alta Mogiana) no querido (e esquecido) Teatro de Arena. Parte importante do Clube da Esquina, Beto Guedes emocionou o público com grandes clássicos, como Feira Moderna, Amor de Índio e Sol de Primavera.

Outro ótimo show do FAM foi da banda Eddie, de Pernambuco. Pouco conhecidos por aqui, a Eddie é parte importante do movimento mangue beat, idealizado por Chico Science e Fred 04. Mesclando rock com ritmos regionais, como o maracatu e o frevo, a banda colocou todos para dançar, como se estivessem em pleno carnaval de Olinda. Destaque para Quando a Maré Encher (mais conhecida na voz de Cássia Eller e da Nação Zumbi), Me Diga o Que Não Foi Legal e o frevo É de Fazer Chorar.

SETEMBRO

O único show “comentável” do mês de setembro foi o dos mineiros do Graveola e o Lixo Polifônico. E que show! Mesmo desfalcado de alguns integrantes (inclusive um dos cantores), a banda conseguiu ‘encher’ o Bronze em plena madrugada de terça para quarta. Alternando músicas de seus dois discos (ou “um disco e meio”, com dizem), rolou também alguns covers, como Crazy Pop Rock (de Gilberto Gil) e Lucy In The Sky With Diamonds, que fechou o show. Destaque para as belíssimas Antes do Azul (Papará) e Suprasonho.

OUTUBRO

Dia 15 rolou o Groselha Fuzz Sessions na Fnac, e a convidada da vez foi a pernambucana Lulina. Radicada em São Paulo desde a adolescência, a cantora conversou bastante com o curioso público, demonstrando uma grande simpatia. Depois de nove (!) discos caseiros, Lulina lançou em 2009 o primeiro disco, Cristalina, que acaba sendo uma releitura de sua carreira. A grudenta e bem humorada Balada do Paulista foi o grande ponto do show, sem deixar de citar Meu Príncipe, com sua letra ‘polêmica’.

NOVEMBRO

Pela segunda vez no ano, o Del Rey subiu no palco do SESC para fazer mais um grande show. China e (alguns do) Mombojó formam a banda de Recife que toca músicas de Roberto e Erasmo Carlos, bem ao estilo da Jovem Guarda. Demonstrando um grande entrosamento, o grupo emocionou com as clássicas Detalhes, Emoções e Como É Grande o Meu Amor Por Você, sempre passando por várias fases da carreira de Roberto Carlos. Exemplo disso foram Outra Vez, Quero Que Tudo Vá Para o Inferno e Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim.

Duas semanas depois foi a vez do Mombojó voltar a Ribeirão para comemorar os 6 anos da festa Groselha Fuzz. E em dose dupla! Primeiro foi com um pocket show na Fnac, que já valeu a noite só por terem tocado duas músicas que raramente entram no setlist: Minar e Baú. Mostrando o novo disco, o elogiado Amigo do Tempo, a banda fechou o show com seu novo hit, Papapa.

O segundo show foi mais tarde, no espaço GOA Lounge, local que estava bem cheio. Alternando músicas do disco novo, como Casa Caiada, e outras dos anteriores, como O Céu, o Sol e o Mar, o Mombojó fechou a noite em grande estilo, tocando as clássicas Faaca e Deixe-se Acreditar, para delírio do público.

DEZEMBRO

No começo do mês, comemorando o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS, o SESC trouxe Mallu Magalhães, precoce talento da música brasileira. Mallu subiu ao palco carregando seu violão, e cantou algumas canções sozinha, ainda sem sua banda, mostrando um pouco de suas influências, como Jorge Ben Jor (Por Causa de Você, Menina), Caetano Veloso (Sozinho e Coração Vagabundo), além de Bob Dylan, Johnny Cash e Billie Holiday. Lançando o segundo disco homônimo, Mallu demonstrou estar muito mais madura, apesar dos 18 anos. Novos ritmos foram adicionados ao seu já conhecido folk rock, como o reggae (Shine Yellow, música de trabalho), samba e rock (My Home Is My Man). Destaque também para suas canções mais conhecidas, como Tchubaruba, Vanguart, J1 e Don’t You Look Back.

Pra fechar o ótimo ano, mais um ótimo show. Vanguart, a banda de Cuiabá dos hits SemáforoCachaça, subiram no palco do Vila Dionísio para apresentar seu projeto paralelo VangBeats, onde tocam músicas dos The Beatles. Na primeira parte do animado show, músicas de seu (até agora) único disco, além da bela Hemisfério, atendendo a muitos pedidos. Simpático e com cara de satisfação, Hélio e cia. fecharam com Semáforo, cantada em coro pelo público que lotou a casa – deixando muitos para fora. Depois do intervalo foi a vez do VangBeats comandar a noite, com um repertório que parece ter sido escolhido a dedo: All My Loving, Help, She Loves You, Something e vários outros clássicos. Destaque para o trio de vozes, formado por Reginaldo Lincoln (baixo) e David Dafré (guitarra), além do vocalista Hélio Flanders. Já sem voz, Hélio passou a bola para Dafré fechar o perfeita noite com Can’t Buy Me Love, depois de tocarem os hinos Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band/With a Little Help From My Friends. Acho que esse vídeo resume tudo: