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Gregorio Duvivier, escritor, colunista e co-criador do Porta dos Fundos, um dos maiores sucessos da internet no Brasil, participou do Salão de ideias desta quinta-feira (22/05) e encontrou o Theatro Pedro II lotado até o último andar.
Questionado sobre a intervenção dos evangélicos fundamentalistas na política brasileira, Gregorio disse que as bancadas evangélicas no congresso não permitem que o Brasil evolua como o resto do mundo e que posições baseadas em dogmas religiosos a respeito da homossexualidade, drogas e aborto são um entrave para o desenvolvimento social do país.
“Muita gente ali tem ideias fundamentalistas e absurdas. Chegamos a um ponto onde Edir Macedo, da Universal, duela com seu rival Valdemiro Santiago, da Mundial. Macedo usa até o demônio pra fazer propaganda contra o concorrente”, diz. “As próprias igrejas estão se canibalizando. Deixem que elas se acabem”.
Metralhadora poética
Gregorio também não deixou escapar ironias sobre o canal Parafernalha, do web celebridade Felipe Neto e concorrente da sua cria “Porta dos Fundos”. “A gente elimina muita coisa que produz. Se não tivermos cuidado com a qualidade, em escolher o que exibimos, a coisa fica meio Parafernalha, né?”, brincou, arrancando aplausos.
No bate-papo, vieram também as críticas à democracia falha do país. “A democracia é uma mentira no Brasil. As pessoas não sabem em quem votam, só copiam o número que está ali no santinho”.
Para amenizar os assuntos pesados, Gregorio pediu que uma pessoa da plateia o filmasse enquanto lia um poema do seu livro Ligue os pontos – Poemas de amor e big bang. Instantaneamente, centenas de celulares apareceram na plateia para atender o pedido.
Porta dos Fundos
Entre tantas críticas, Gregorio também disse que terminou essa semana o roteiro de um longa-metragem do Porta dos Fundos e que o canal FOX vai passar a exibir os episódios da série em seus intervalos comerciais. “Só aceitamos porque não vai ter nenhuma alteração do conteúdo. Já tivemos proposta para ir para um site da Globo, mas queriam algo completamente diferente. Não rolou, obviamente”.
Texto: Francine Micheli
Fotos: Sté Frateschi/Feira do Livro