Depois de 22 anos, chorinho na USP pode acabar

Há quase um ano sem receber, músicos do grupo Os Roxinóis podem interromper um dos projetos culturais mais antigos da cidade
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Por Francine Micheli
(Texto e fotos)

“Nós ainda estamos tocando porque respeitamos a população e temos integridade”. Com essa frase, o clarinestista Roberto Marani, integrante do grupo Os Roxinois, explica porque o chorinho na USP ainda é realizado todos os domingos mesmo sem que os músicos recebam pelo trabalho.

Com pagamento atrasado há 11 meses, o grupo de chorinho ainda se esforça para manter vivo um dos projetos culturais mais antigos de Ribeirão Preto: o Café com Chorinho, realizado semanalmente entre o Museu do Café e o Museu Histórico, no campus da USP.

Segundo Marani, a dívida da Prefeitura com o grupo é de R$ 32 mil. Com contrato assinado por meio de licitação, os músicos se revoltam com a falta de interesse do governo municipal à agonia da estrutura cultural da cidade. “Esse é um valor irrisório para os cofres públicos e estamos tendo tanto desgaste que eu já cheguei no meu limite. A situação é insustentável”, diz.


Roberto Marani, clarinetista de Os Roxinóis

Apesar dos problemas, o chorinho deste próximo domingo está garantido, porém com uma atração especial. “Em todas as nossas apresentações, nós explicamos ao público o que está acontecendo. Nossa maneira de protestar é com música, com o nosso trabalho”, diz o músico.

Ainda de acordo com ele, o valor cobrado pelas apresentações dominicais (de duas horas cada) é inferior à praticada no mercado por conta da periodicidade e pela suposta garantia de pagamento prevista em contrato. “Nesses 22 anos, houve apenas dois reajustes”.


Chorinho na USP é ponto de encontro de pessoas de toda a região

Burocracia

O prazo dado pela Secretaria da Cultura seria esta sexta-feira, dia 6, quando uma parte da dívida seria quitada, enquanto o restante seria depositando na próxima semana. Porém, até o fechamento desta matéria, o dinheiro ainda não havia aparecido na conta dos músicos. 

Questionada, a Secretaria da Cultura respondeu por mensagem que todos os procedimentos cabíveis já foram aplicados pela pasta e que, a partir de agora, a responsabilidade pelo pagamento seria da Secretaria da Fazenda. Uma funcionária da Secretaria da Fazenda solicitou que enviássemos um e-mail para a assessoria de imprensa da Prefeitura e a resposta repetiu as promessas feitas nos últimos 11 meses, sem nenhuma novidade: “o pagamento será realizado nos próximos dias”.

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